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Apresentação

A Escola de Braga tem um significado muito preciso, dentro do panorama do pensamento português desde meados do século XX. Identificada com a Faculdade de Filosofia de Braga, instituída em 1947 como primeira Faculdade de Filosofia em Portugal, a sua presença e projecção notabilizou-se com a publicação periódica da Revista Portuguesa de Filosofia, iniciada em 1945, e com outras publicações no âmbito da Filosofia. Entre as actividades promovidas, destaca-se a realização do I Congresso Nacional de Filosofia, em 1955, e do I Congresso Luso-Brasileiro de Filosofia, em 1981.
A inspiração e orientação geral da Escola, como centro de pensamento e de ensino superior, estão compendiadas no Curso de Filosofia e Humanidades que foi ministrado inicialmente aos estudantes jesuítas, e que a partir da década de 60 começou a ser frequentado por alunos externos. Em 1967 foi fundada a Universidade Católica Portuguesa, integrando a Faculdade de Filosofia de Braga como a primeira das suas faculdades.
O desenvolvimento da actividade de ensino na Faculdade de Filosofia levou ao desdobramento do curso inicial em duas licenciaturas: curso de Filosofia e curso Filosófico-Humanístico, e, posteriormente, à criação dos cursos de Humanidades, em 1980, e de Filosofia e Desenvolvimento da Empresa, em 1994. Novos cursos foram criados, a partir do ano 2000, em resposta às exigências sociais e culturais da sociedade e aos desafios lançados pela Declaração de Bolonha, sendo oferecidos actualmente os seguintes:
1º ciclo: Filosofia; Estudos Portugueses e Lusófonos; Estudos Artísticos e Culturais; Psicologia; Ciências da Comunicação; Ciências da Informação e da Documentação.
2º ciclo: Filosofia, Literatura Portuguesa, Estudos Clássicos, Linguística, Psicologia, Comunicação Social, Ciências da Informação e da Documentação
3º ciclo: Filosofia, Literatura Portuguesa, Estudos Clássicos, Linguística.

A realização deste Colóquio tem como objectivo central responder à necessidade urgente de repensar e aprofundar o sentido do humanismo que, desde o início da criação da Faculdade de Filosofia, esteve presente na formação humanística e científica que o curso-matriz transmitiu e que sempre orientou todas as actividades de ensino e de investigação desenvolvidas pela Escola.
Dada a relevância dos seus mestres e suas repercussões no pensamento filosófico português do séc. XX, tanto pelo valor especulativo da obra de alguns desses mestres como pela sua abertura e diálogo com figuras, correntes ou movimentos, do pensamento e cultura contemporâneas e o seu permanente interesse pelo pensamento português, documentado nos congressos que realizou e em edições que promoveu, considerou o Grupo de Investigação “Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal”, do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Gabinete de Filosofia Moderna e Contemporânea), dever associar-se à organização deste Colóquio que permitirá realizar um primeiro estudo sistemático e a necessária avaliação de um aspecto muito significativo da actividade filosófica portuguesa dos últimos 60 anos, até hoje ainda não objecto da atenção que indiscutivelmente merece, o neotomismo.

O Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos, o Grupo de Investigação “Raízes e Horizontes da Filosofia e Cultura em Portugal”, do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em colaboração com a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Filosofia de Braga, promovem a realização deste Colóquio com a certeza de que podem deste modo dar um importante contributo para a reflexão e para a discussão pública sobre a necessidade de uma formação humanística consistente que proporcione a toda a sociedade uma maior e melhor garantia do respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana em geral. A Filosofia e os estudos humanísticos ainda constituem uma parte decisiva na formação da personalidade das pessoas e dos cidadãos. A nossa sociedade ressente-se já do efeito da mentalidade tecnocrata que incentiva a progressiva desvalorização das humanidades no quadro da formação em geral.
A formação humanística veiculada nas actividades de docência e de investigação da Escola de Braga representa um modelo que está patente na qualidade científica e profissional dos seus antigos e actuais alunos. A ela dedicamos a nossa reflexão de aprofundamento e de actualização.